No calor, o corpo sua mais, a gente usa roupas mais justas ou sintéticas, passa horas com biquíni molhado e muda a rotina (praia, piscina, viagens, banheiros públicos). Embora tudo isso pareça inofensivo, pode mexer com o equilíbrio da região íntima.
Isso porque a vagina tem uma flora natural que atua como proteção contra infecções. Mas, quando o ambiente fica mais quente e úmido, ou quando o pH se altera, essa proteção pode enfraquecer. O resultado? Um aumento de queixas muito comuns no verão, como coceira, ardor, corrimento diferente e desconforto ao urinar ou na relação.
4 problemas ginecológicos que costumam surgir no verão
A seguir, listo algumas das questões mais relacionadas à saúde íntima no calor. Entender cada uma delas ajuda a reconhecer os sinais e buscar o cuidado certo.
1 – Candidíase: quando o calor favorece o fungo
A candidíase é causada por fungos do gênero Candida, que podem viver naturalmente na vagina sem causar problemas. No calor, porém, a combinação de umidade, roupas abafadas e irritação local cria um ambiente ideal para que o fungo se multiplique.
Portanto, evite ficar muito tempo com biquíni molhado, usar roupas apertadas por longos períodos e exagerar em produtos íntimos.
Sintomas mais comuns: coceira intensa, ardor, vermelhidão e corrimento branco mais espesso, geralmente sem odor forte.
Como é feito o tratamento: o tratamento costuma envolver medicações antifúngicas, em forma de creme vaginal ou comprimidos orais, sempre com orientação médica. Mas, é importante confirmar o diagnóstico antes de tratar, pois nem toda coceira é candidíase.
2 – Vaginose bacteriana: quando o pH sai do lugar
A vaginose bacteriana acontece quando há um desequilíbrio da flora vaginal: as bactérias “boas” diminuem e outras passam a predominar. O calor, o suor excessivo, o uso de duchas internas e sabonetes perfumados favorecem essa alteração do pH.
Sintomas mais comuns: corrimento mais fluido, acinzentado ou esbranquiçado, com odor forte, que costuma piorar após a relação sexual.
Como é feito o tratamento: geralmente é feito com antibióticos específicos, em forma de comprimidos ou cremes vaginais. O tratamento correto da vaginose bacteriana ajuda a restabelecer o equilíbrio da flora e reduzir o risco de recorrência.
3 – Irritação e alergias na região íntima: quando não é infecção
Nem toda questão de saúde íntima no calor é causada por infecção. Também podem irritar a mucosa vaginal questões como atrito com areia, suor excessivo, depilação recente, tecidos sintéticos, protetores diários e produtos com perfume. Essa irritação pode provocar ardor, vermelhidão e até aumento da secreção, confundindo com corrimento infeccioso.
Sintomas mais comuns: sensação de queimação, pele sensível, desconforto ao usar roupas apertadas e secreção leve, sem cheiro característico.
Como é feito o tratamento: o foco é retirar o fator irritante. Assim, evite produtos agressivos, mantenha a região seca e use roupas leves. Em alguns casos, cremes calmantes indicados pelo ginecologista ajudam a aliviar os sintomas. Mas, atenção: antifúngicos sem indicação podem piorar a irritação.
4 – Infecção urinária: a vilã silenciosa do verão
A infecção urinária também se torna mais frequente no calor. A principal razão é a desidratação: quando se bebe pouca água, a urina fica mais concentrada e a bexiga é esvaziada com menos frequência, facilitando a multiplicação de bactérias.Ainda, outros fatores que contribuem para o problema são segurar o xixi por muito tempo, viagens longas e maior atividade sexual.
Sintomas mais comuns: ardor ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro, dor no baixo ventre e urina com cheiro forte. Febre e dor nas costas são sinais de alerta.
Como é feito o tratamento: o tratamento é feito com antibióticos, prescritos após avaliação médica e, em alguns casos, exame de urina. Evite a automedicação para não mascarar sintomas ou gerar resistência bacteriana.