O que é mioma uterino e quais são suas causas e tratamentos

Mioma uterino: o que é, causas, sintomas e tratamentos

Muitas mulheres têm, tiveram ou terão um mioma uterino em algum momento de suas vidas. Entenda o que são miomas e saiba reconhecer quando um sintoma é preocupante e quais as opções de tratamentos.

Miomas uterinos são relativamente comuns, sendo que muitas mulheres terão um ou mais nódulos em algum momento de suas vidas. Mas, como eles geralmente não provocam sintomas, pode ser que vivam bem sem sequer saber que tiveram ou têm miomas. 

Entenda aqui o que são miomas, seus sintomas, possíveis causas e, quando há a necessidade de tratamento, o que pode ser feito.

O que são miomas?

Miomas uterinos são tumores não cancerosos do útero que geralmente aparecem durante a idade fértil da mulher. Tumores? Sim, a palavra assusta, mas os miomas não estão associados a um risco aumentado de câncer e a verdade é que raramente se transformam em algo mais sério.

Os miomas variam em tamanho, podendo ser muito pequenos, indetectáveis pelo olho humano, até massas volumosas capazes de distorcer e aumentar o útero. Uma mulher pode ter um único mioma ou vários. 

Os padrões de crescimento dos miomas uterinos variam – eles podem crescer lenta ou rapidamente, ou podem permanecer do mesmo tamanho. Alguns miomas passam por surtos de crescimento e outros podem encolher por conta própria.

Muitos miomas que estiveram presentes durante a gravidez, por exemplo, podem encolher após a gestação, já que após o parto o útero volta ao seu tamanho normal.

Quais são os sintomas do mioma uterino?

Quando os miomas apresentam algum sintoma, eles são influenciados pela localização, tamanho e número de miomas.

Os sintomas mais comuns de miomas uterinos incluem:

  • Sangramento menstrual intenso
  • Períodos menstruais que duram mais de uma semana
  • Pressão ou dor pélvica
  • Micção frequente
  • Dificuldade em esvaziar a bexiga
  • Constipação
  • Dores nas costas ou nas pernas

Costumamos classificar os miomas com base em sua localização. Os chamados miomas intramurais crescem dentro da parede muscular uterina. Já miomas submucosos se desenvolvem dentro da cavidade uterina. Os miomas subserosos, por sua vez, projetam-se para fora do útero.

Quando os miomas não provocam desconforto, a mulher pode viver com eles, sem a necessidade de qualquer tratamento. Ela deve consultar um médico, no entanto, se sentir:

  • Dor pélvica que não passa
  • Períodos excessivamente intensos, prolongados ou dolorosos
  • Sangramento entre uma menstruação e outra
  • Dificuldade em esvaziar a bexiga
  • Baixa contagem de glóbulos vermelhos (anemia)
Quais as causas dos miomas?

Os médicos não sabem a causa dos miomas uterinos, mas pesquisas e experiências clínicas apontam para alguns fatores:

Alterações genéticas. Muitos miomas contêm alterações nos genes que diferem das células musculares uterinas típicas.

Hormônios. Estrogênio e progesterona, dois hormônios que estimulam o desenvolvimento do revestimento uterino durante cada ciclo menstrual, parecem promover o crescimento de miomas.

Miomas causam infertilidade?

A existência do mioma em si não está relacionada diretamente com a infertilidade. A incapacidade de engravidar pode ocorrer nos casos em que uma mulher tem miomas em lugares que, de alguma forma, interferem no processo de fecundação.

Por exemplo, pode ser que a presença dos miomas impeça que um óvulo fertilizado se prenda ao revestimento do útero. Ainda, quando se trata de um mioma submucoso, pode ser que ele bloqueie uma das trompas, dificultando a gravidez.

Miomas durante a gravidez

Quando uma paciente com miomas fica grávida (algo perfeitamente normal) pode ser que os miomas influenciem de alguma forma o desenvolvimento do bebê ou o momento do parto.

Se grandes miomas bloquearem a saída vaginal, por exemplo, pode ser necessária uma cesariana. Além disso, gestantes com miomas podem, por exemplo, sentir mais dores abdominais durante a gravidez, e também há um risco aumentado de parto prematuro.

E, em casos raros, os miomas uterinos podem causar aborto espontâneo (a perda da gravidez durante as primeiras 23 semanas).

De qualquer forma, assim como toda gestação, é importante que a mulher conte com um bom pré-natal e acompanhamento do seu obstetra.

Quais são os tratamentos para miomas uterinos?

O tratamento para miomas pode variar de nenhum tratamento até uma cirurgia. A menos que os miomas estejam causando sangramento excessivo, desconforto ou problemas na bexiga, o tratamento geralmente não é necessário.

O cuidado, para quem tem miomas, é fazer um acompanhamento periódico para revisar os sintomas e monitorar o tamanho do mioma e do útero, com exames abdominais e pélvicos. Para pacientes assintomáticos, no entanto, os ultrassons pélvicos de rotina costumam ter pouco benefício. Isso porque é muito provável que os miomas cresçam a cada ano até a menopausa, e isso não é necessariamente uma indicação de que você precisa de tratamento – a menos que a mudança seja acompanhada de sintomas incapacitantes ou que afetem de alguma maneira sua qualidade de vida.

Quando um tratamento para miomas é necessário, estas são algumas das opções:

Medicamentos

Os medicamentos disponíveis hoje para tratar miomas atuam melhorando temporariamente os sintomas, mas não fazem com que os miomas desapareçam. Para mulheres com sangramento intenso, pode ser que valha a pena experimentar a medicação antes de se submeter a um procedimento cirúrgico. Por outro lado, pacientes com sintomas de pressão causados por miomas grandes, por exemplo, tendem a não se beneficiar do uso de medicamentos.

Pílulas anticoncepcionais e Dispositivos Intrauterinos (DIU)

As mulheres com miomas que sofrem com períodos menstruais intensos frequentemente recebem a prescrição de pílulas anticoncepcionais para tentar reduzir o sangramento e regular o ciclo menstrual. De novo, trata-se de uma ação para amenizar um sintoma, sem efeito direto sobre os miomas.

Da mesma forma, um DIU que libera uma pequena quantidade de hormônio na cavidade uterina pode diminuir o sangramento causado por miomas.

Miomectomia

A miomectomia é uma operação para remover miomas, preservando o útero. Para mulheres que apresentam sintomas de miomas e enfrentam dificuldade para engravidar, a miomectomia é uma opção de tratamento.

Embora muito eficaz, a miomectomia não impede que os miomas voltem a crescer. Quanto mais jovem você for e quanto mais miomas você tiver no momento da miomectomia, maior a probabilidade de desenvolver miomas novamente no futuro. Da mesma forma, pacientes que fazem a cirurgia próximo à menopausa são as menos propensas a ter novos problemas relacionados aos miomas.

A miomectomia pode ser realizada de várias maneiras diferentes. Dependendo do tamanho, número e localização dos seus miomas, pode-se considerar uma miomectomia abdominal, laparoscópica ou histeroscópica. É importante conversar com o seu ginecologista para entender cada tipo de cirurgia e qual a mais recomendada para o seu caso.

Histerectomia

A histerectomia é um procedimento cirúrgico de alto impacto, no qual a totalidade do útero é removida, ou subtotal subtotal, quando o colo permanece e retira-se apenas o corpo uterino. Muitas mulheres escolhem a histerectomia para resolver definitivamente seus sintomas de miomas. Após a histerectomia, o sangramento menstrual para, a pressão pélvica é aliviada, a micção frequente melhora e novos miomas não podem crescer. Por outro lado, uma gestação torna-se impossível após a cirurgia.

Geralmente, se uma mulher está na menopausa ou perto da menopausa, opta-se pela remoção dos ovários – mas eles não são necessariamente retirados quando se faz uma histerectomia. Em mulheres na pré-menopausa, a remoção dos ovários pode causar ondas de calor, ressecamento vaginal e outros sintomas. Mais uma vez, é fundamental contar com um ginecologista experiente, que explique cuidadosamente os prós e contras da remoção do ovário e da cirurgia em si.

Existem várias abordagens cirúrgicas de histerectomia: uma histerectomia vaginal, uma histerectomia abdominal e uma histerectomia laparoscópica. A escolha do procedimento dependerá do tamanho do útero e de vários outros fatores.

Uma palavra final

O mais importante, sempre, é conversar com o seu médico, já que as indicações de tratamentos para mioma dependem não só do tamanho, local e sintomas, mas também de questões pessoais, como vontade de engravidar, por exemplo. 

Ficou alguma dúvida? Deixe um comentário ou, caso tenha alguma questão, me siga no Instagram (@dr.rodrigoferrarese). Lá respondo perguntas sobre diversos assuntos, diariamente. Aguardo você =)

Um beijo,
Dr. Rodrigo Ferrarese
Ginecologista e obstetra
CRMSP 149403
RQE 70017

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *